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Assim Comia Zaratustra

O suco da laranja é o próprio ser da laranja manifesto e com isso quero dizer que é a sua natureza genuína, aquilo que lhe confere a sua "laranjidade" e impede que tenha o paladar de, digamos, salmão escaldado ou cereais moídos. Para os devotos, a idéia de qualquer outra coisa que não cereal no café-da-manhã gera sobressalto e pavor, mas com a morte de Deus tudo é permitido, e profiteroles e mariscos podem ser comidos à vontade, e até asinhas de galinha fritas com molho picante e queijo.
Assim comia Zaratustra, do Woody Allen, lá na Revista Piauí.

Buscas Balanceadas

Meu texto de hoje pro Selvagem:

Privacidade Ilusória

As palavras que inserimos nos campos de pesquisa dos mecanismos de busca não só servem para encontrarmos aquilo que procuramos, mas também para enriquecer bancos de dados e auxiliar na construção de perfis de usuários que utilizam esses serviços.

Leia o texto completo

Uma dica que não pus lá (aliás, não pus dica nenhuma), mas que você pode seguir para evitar que, com base nas buscas que você faz, eles sejam capazes de obter seu perfil e saber de todos os seus gostos e interesses, é tentar enganá-los "balanceando" suas pesquisas: quando você buscar por hot naked teens no Google, por exemplo, faça, logo depois, uma outra busca por, digamos, cold dressed old ladies. Eles vão enlouquecer.

Fim de ano sempre vem cheio de desculpas

E comigo não será diferente, embora a minha desculpa não tenha nada a ver com festas, viagens ou compras de artigos para fazer simpatias ridículas na virada do ano.

O que acontece é que estou há quatro dias trabalhando em cerca de vinte páginas, um texto que deve ficar pronto até amanhã -- em verdade, é um prazo simbólico, mas o estou levando muito a sério. Logo, me vejo na obrigação de roubar o tempo de outras atividades, uma vez que divisão organizada de tarefas não é comigo.

(Talvez eu venha a postar o resultado do esforço desses dias lá na Catarse, que, tadinha, anda muito parada, mas ainda é cedo demais. O que estou fazendo entre esses parênteses é, de fato, uma propaganda sem vergonha.)

E como este provavelmente será o último post do ano, escolhi alguns textos interessantes que escrevi em meio a essa bobagem toda para dar uma pequena ênfase e satisfazer as necessidades do visitantes. Algo como uma retrospectiva egocêntrica:

(Dê uma olhadinha no Selvagem também, vá saber. Ou, talvez, num curta-metragem...)

Portanto, tenho quase certeza que pelo menos um dos posts listados acima (de acordo com a data de publicação) irão interessar o leitor. Se não, desculpe, mas no momento não posso fazer mais nada. Fui bem generoso comigo mesmo ao fazer essa listagem, como pode perceber, então leia com carinho, sim?

Em todo caso, eis aqui o melhor post de fim de ano que "li" até agora. Hors concours.

Outro para o Selvagem

Além de comer e beber, aproveitei a calmaria natalina para escrever meu artigo dessa semana para O Pensador Selvagem. Aliás, não poderia ser de outra forma, pois eu deixei pra última hora mesmo.

Dêem um pulo até lá e leiam. Segue o comecinho:

Blogosfera, um Delírio

"Blogosfera", essa palavra tão utilizada para se referir ao grande e emergente universo dos blogs, foi cunhada em 1999 como uma piada. Dois anos depois, o termo foi forjado novamente, dessa vez com mais seriedade, mas muitos preferiram continuar achando graça da coisa. Derivado de logosfera, que se refere ao mundo da língua, da palavra, e já bem consolidado entre os blogs, o termo ainda é capaz de arrancar sorrisos dos mais atentos.

Continue lendo...

É isso.

Se queres matar-te, mata-te!

Uma coisa que nunca entendi é a obsessão da polícia, dos bombeiros ou mesmo da maioria das pessoas em impedir suicídios.

Até compreendo que o pessoal do corpo de bombeiros esteja habituado a salvar vidas e que talvez não possam controlar o impulso de exercer sua profissão mesmo quando a pessoa quer dar um fim na própria existência. Mas, ora, qual o problema em deixar o sujeito se matar?

Encontrei, cá nas minhas coisas, uma notícia de 12 de março deste ano que eu devo ter guardado justamente para usar num artigo sobre suicídio. Reproduzo-a:

A polícia espanhola evitou pela internet um suicídio na Alemanha ao avisar colegas alemães de que um homem ameaçava, em uma sala de bate-papo, se matar.

Morador de Bremer Haven, o homem apontava uma pistola para a sua cabeça enquanto conversava no chat e disse que o motivo do descontrole emocional era ter sido abandonado pela mulher.

Segundo informações das autoridades, a ameaça foi feita na quinta-feira. Um policial entrou no chat para falar com o potencial suicida, ganhando tempo para que os policiais alemãs chegassem à casa do homem.

Internautas espanhóis que participavam da conversa alertaram serviços de emergência que, por sua vez, avisaram a polícia alemã, que chegou a tempo de evitar o suicídio.

Fonte: Folha Online

Ora, pra que ir "salvar" uma pessoa que quer morrer? Isso não faz sentido algum.

E o ditado do "cão que ladra, não morde" se aplica perfeitamente aqui: se um cara entra numa sala de bate-papo dizendo que vai se matar, esta, provavelmente, vai ser uma das últimas coisas que ele irá fazer. O sujeito quer atenção.

Quem se mata geralmente não faz muito alarde. Às vezes escreve uma carta ou deixa um recadinho e é só. Depois pula, se enforca, toma veneno, atira na própria cabeça. São esses os corajosos, pois não precisam de holofotes.

De qualquer forma, ainda me parece estranho o desejo alheio em impedir que alguém se mate. Mas vamos por partes.

Em (quase?) todos os lugares do mundo, matar uma pessoa é crime. Mas se a pessoa que irá ser morta é justamente a mesma que irá matar, o crime e o castigo já não estarão, ao mesmo tempo, presentes no ato suicida? Ou seja, a dívida pela morte já estaria paga (e bem paga!) Ou seria a preservação da vida um castigo para um acusado de tentativa de homicídio de si mesmo?

Não é conveniente pintar o suicídio como algo abominável para evitar que esta se torne uma escolha comum e até popular entre os desgostosos? Não vale a pena, do ponto de vista do sistema, manter vivos até mesmo os que não o desejam para que usufruam de sua infraestrutura? Não seria, por fim, o suicídio a mais eficaz das armas contra a própria sociedade -- tendendo ao absurdo de fazê-la sucumbir assim que o último homem se jogasse ao abismo?

Ou ainda -- agora serei maldoso --, as autoridades que se julgam na obrigação de manter as pessoas vivas não estariam impedindo o suicídio por serem coniventes com o pensamento possessivo e chantagístico das famílias dos infelizes que, pouco depois de perderem o ente "querido", simplesmente encontram-se solitárias e só fazem repetir para si o seguinte questionamento egoísta: "por que ele fez isso comigo?"

Ignoram que o desgraçado do morto fez o que fez, na maioria das vezes, por não suportar a própria família e supostos amigos que, ironicamente, são os que vão chorar (e por pouco tempo) não pela morte dele, mas por sentirem-se um tantinho vazios. Chega a ser cômico, vendo desta forma.

Então eu pergunto novamente: para que cercear o direito que temos de findar com nossa própria existência?

Não faz sentido.

Entretanto, eu concordo que, em certos casos, a intervenção é necessária. Por mais poético e cinematográfico que seja, jogar-se do alto de um prédio ou de um viaduto, por exemplo, não é um ato exclusivamente individual e solitário. A pessoa não terá, obviamente, consciência disso, uma vez que, se a construção de onde saltou tiver altura considerável, estará morta e não terá como se desculpar caso caia sobre um automóvel ou um transeunte. Deve-se levar em conta, também, que a preocupação com os outros quando se está a dezenas de metros do chão e prestes a saltar é algo que deve passar longe da cabeça de um suicida.

Sendo assim, é melhor que as autoridades já citadas agarrem o sujeito -- que provavelmente nem iria pular, pois só queria atenção -- e ensinem a ele formas alternativas e seguras de se matar: seja receitando venenos eficazes ou dando lições de como confeccionar uma forca ideal. O que importa aqui é que ninguém mais se machuque.

Voltemos, então, ao alemão da notícia. É plausível dizer que o sujeito estava sozinho em casa, já que estava se lamentando via internet, o que é bem patético. Desta forma, com a arma apontada na direção de sua própria e provavelmente escassa massa encefálica, as chances de outras pessoas se ferirem eram, podemos supor, ínfimas.

O policial que entrou no bate-papo para "ganhar tempo", como nos diz a notícia, deve ter se assegurado deste e de outros tantos detalhes. Bastaria, então, que dissesse para o sujeito puxar o gatilho de uma vez por todas, ora!

Estamos falando de um adulto que pode muito bem (ok, talvez mais ou menos bem) cuidar do próprio nariz. Ou atirar contra ele, se bem entender.

Enfim, já me demorei demais neste assunto. Sequer vou comentar sobre os incompetentes que já tentaram e não conseguiram se matar. Reservem, pois, alguns segundos de suas vidas para pensar na magnitude da frustração de um sujeito que, completamente infeliz, está fadado a vagar entre os vivos até que o destino diga o contrário. Imaginem o estado psicológico de alguém que levou a sério o odioso "se mata!" e que voltou para contar a história do fracasso...

Mas antes de encerrar, digo-vos que o título deste desalmado artigo refere-se ao belíssimo poema "Se te queres matar, porque não te queres matar?", de Álvaro de Campos, que foi escrito no dia em que se completavam dez anos do suicídio do poeta e grande amigo de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro.

Reproduzo-o aqui como um nobre complemento ao assunto exposto.

Hakim Bey e Meu Espasmo Filantrópico

Pois eis que nesta madrugada fui acometido por um espasmo agudo e excessivamente benévolo, estranho ao meu ser, que plantou em mim uma idéia simples que exige apenas um pouco de esforço braçal deste que vos fala para proporcionar a felicidade geral dos leitores errantes e dos piratas ávidos por conteúdo.

Hakim Bey

Explico: estava eu procurando alguns textos do Hakim Bey, pois tinha lido uns dois pela manhã e me interessei (e você já deve ter ouvido falar), e constatei que há cerca de uma vintena de textos traduzidos e espalhados por aí com formatações diversas & caracteres desnecessários (como este que acabei de usar).

Então resolvi gastar uma (grande) porção de minha madrugada para disponibilizar esses textos que encontrei com uma formatação simples e de leitura mais agradável (HTML sem frescuras e uma versão bonitinha em PDF para impressão).

Os textos que reuni são praticamente os mesmos disponíveis aqui, só que traduzidos por algumas pessoas infinitamente mais "filantrópicas" do que eu ou você. Não sei quem são, mas mantive os devidos créditos nos textos que os possuiam. Quem souber quem foram os camaradas que traduziram os outros textos sem crédito, por favor, me avisem.Há, para os interessados, uma comunidade no orkut chamada Hakim Bey da Silva que visa unir o pessoal para traduzir os artigos do cara.

E para não dizer que estou apenas copiando os movimentos mecânicos do meu xará primata daquela famigerada propaganda, estou, também (e aos poucos), revisando e recolocando as marcas (negrito, itálico, ênfases, etc.) originais de acordo com os artigos em inglês, que acabaram por se perder na tradução.

Pararei com a enrolação: os textos estão aqui. Nos próximos dias adicionarei mais uns outros e ao longo da semana irei revisando-os. Espero dar cabo de todos eles o quanto antes (e o conteúdo interessante é um bom incentivo).

Enfim, se eu não me cansar e/ou não me livrar deste espasmo que me indispõe para a bondade, tenho mais algumas idéias vagas que podem vir a dar certo...

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