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Curitibanas transando (ou pequenas alegrias)

Antes eu costumava conferir todos os dias, e avidamente, as estatísticas de acesso deste humilde e inconsistente espaço. Era divertido saber que os termos de busca mais improváveis traziam o visitante incauto -- e, imagino, ingênuo -- para este pedaço de mau caminho. Depois cansei. Fui deixando essas coisas de lado e quando resolvo dar uma olhadinha sempre sou surpreendido com algum acontecimento inexplicável. Desta vez foram dois.

A quantidade de infiéis que aterrissam nessa sucursal do inferno atrás dos 14 pecados capitais não está nas escrituras. Vá ao Google, digite 14 pecados capitais e clique em "estou com sorte" (ou azar, no caso). Idem no concorrente. É isso aí, bem vindo de volta.

Mas isso é pouco perto do outro fato: navegue até o Yahoo! e digite o sugestivo termo curitibanas transando. Sério. Até este post eu não tinha concatenado essas duas palavras, mas os bots de indexação o fizeram por mim. Antes, por algum motivo inexplicável, o blog aparecia em primeiro lugar, mas logo, logo retomo a posição. No entanto (e por enquanto), sinto frustrar os benquistos pára-quedistas sedentos por registros fotográficos, filmagens amadorísticas e/ou relatos quentes sobre a cópula com as nativas da famigerada cidade fria. Lamento dizer que não está nos meus planos satisfazer a curiosidade dessas pessoas com fantasias tão regionalmente específicas, o que ameaça, mesmo a curto prazo, a relevância da Navalha e deixa toda essa gente (literalmente) na mão, uma vez que os outros resultados também estão longe de fazer jus às suas posições no ranking e aos desejos de quem os busca.

Ocorre-me agora que este é um nicho aparentemente promissor. Fico relativamente tentado a investir nessa vertente do turismo sexual, pois intuo que, a partir de hoje, também passarei a ser uma referência bastante expressiva para o ainda mais específico termo 14 curitibanas transando. Aceito propostas de patrocínio para esta nova e ousada empreitada.

Buscas Balanceadas

Meu texto de hoje pro Selvagem:

Privacidade Ilusória

As palavras que inserimos nos campos de pesquisa dos mecanismos de busca não só servem para encontrarmos aquilo que procuramos, mas também para enriquecer bancos de dados e auxiliar na construção de perfis de usuários que utilizam esses serviços.

Leia o texto completo

Uma dica que não pus lá (aliás, não pus dica nenhuma), mas que você pode seguir para evitar que, com base nas buscas que você faz, eles sejam capazes de obter seu perfil e saber de todos os seus gostos e interesses, é tentar enganá-los "balanceando" suas pesquisas: quando você buscar por hot naked teens no Google, por exemplo, faça, logo depois, uma outra busca por, digamos, cold dressed old ladies. Eles vão enlouquecer.

O Fenômeno da Autópsia

Surpreende-me o fato de que 38% das pessoas que encontram a Catarse Elétrica via Google chegaram até ela por meio de palavras-chave relacionadas não à textos, contos ou qualquer outra coisa, mas à autópsia.

Verdade, eu fiz as contas. Todas elas caem no artigo O Véu da Autópsia, que eu havia escrito inspirado pelo filme "The Act of Seeing with One's Own Eyes" (1971) do Stan Brakhage.

Os termos de busca ilustram bem essa curiosidade que as pessoas têm sobre a morte e, em especial, cadáveres. Há coisas como "autópcia - conceito" (sic), "ver imagems real de uma autópsia no corpo humano" (sic!) e "cenas de autopsia" (campeã disparada em número de pesquisas) mostram que o que se busca mesmo é o registro, isto é, fotos e vídeos.

A internet é uma ferramenta sensacional, mas o uso que se faz dela é no mínimo curioso. Será que estas pessoas teriam tanto interesse por essas coisas a ponto de irem buscar informações/conteúdo na vida "real", ou seja, ir atrás desses filminhos bizarros ou (por que não?) visitar mesmo um necrotério?

Provavelmente seria uma experiência muito mais interessante e elucidativa do que ver tudo isso através de um monitor pequeno e estático...

boring stuff

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