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Ivan Cardoso & cinema brasileiro

Porque aqui não gostam de cultura, só de falsos artistas. No Brasil, até banqueiro quer ser cineasta. Com o juro a essa altura, como é que o cara pode querer dizer que é artista? Inclusive, no dia em que quiserem fazer um debate, estou à disposição. Podem reunir a tropa de elite toda: os irmãos Salles, o O2, o José Padilha. Todos adeptos da política Bush contra o cinema, contra as drogas e contra o homem. Acabaram com o mundo, acabaram até com o capitalismo. Como é que um banqueiro pode se fingir que é pobre? Isso não existe.

o trecho acima é da entrevista com Ivan Cardoso feita pelo Fausto do Boteco Sujo - um blog cuja leitura recomendo fortemente. Ivan não só fala dos seus filmes e do que anda fazendo, como fala mal de todo mundo. com eventuais risadinhas sinistras.

faz uns tantos meses que postei por aqui cinco curtas dele, incluindo um mini-documentário sobre o Zé do Caixão e dois filmes sobre Hélio Oiticica.

Sou uma pessoa predestinada, porque quando tinha 16 anos conheci o Hélio Oiticica e ele me ensinou: "Ivan, tudo o que não pode ser feito, pode". Agora, imagina você se o Hélio conhecesse um banqueiro cineasta? Ele mandava para a putaquepariu! Rerrerrê. Expulsava da casa dele. Não tinha papo. O Hélio não tinha nem conta em banco.

aliás, quando surgiu o assunto da recente polêmica sobre a nudez no cinema, Ivan disse algo que sou obrigado a citar e concordar, porque, afinal, gozamos do mesmo sobrenome:

Agora, para falar essas besteiras todas, ele [Pedro Cardoso] devia usar o sobrenome verdadeiro dele que é Martins Moreira, e não ficar manchando o meu, que é Cardoso. Porque Cardoso que é Cardoso é gostoso e gosta de ver mulher nua no cinema.

o grifo é meu, obviamente.

esta frase passará a ser a epígrafe do blog.

agora vão lá, leiam toda a entrevista e vejam uns curtas.

...

enquanto isso, aqui na vizinhança, Biajoni publicou uma lista dos 25 melhores filmes brasileiros. não entrou nenhum do Ivan, mas tem um Sganzerla e dois Glauber - e uns tantos que não vi.

Promessa é dívida

Antes tarde do que nunca.

Debate sobre o cânhamo: parte 1, parte 2 e parte 3.

Ouçam aí.

Um Quase-Trackback Audiovisual

Retorno rapidamente ao assunto do Campus Party só para mostrar esse vídeo que está aí em cima, sobre as já citadas proibições impostas pela organização do evento. Quem começa dando o seu depoimento é o Daniel Duende e, para minha surpresa, este humilde blog está ali aberto no navegador do notebook dele. E, claro, o melhor (e a verdadeira surpresa) foi ter a piadinha que fiz citada pelo Daniel.

Tem uns comentários legais dos participantes e a parte final, com o Sérgio Amadeu, também é bem interessante. Aliás, é um bom contraponto ao que eu escrevi aqui. Assistam -- ou pelo menos vejam os primeiros 30 segundos, ok?

Curta de Quinta - Calçada da Fome

O leitor que costuma perambular por aqui às quintas-feiras deve ter notado que eu gosto de curtas/documentários. Em parte porque trata da realidade e não tem intenção de maquiá-la, mas também porque tenho visto muitos curtas de ficção bem ruins. Assisti a uns quatro antes de me de me deparar com este e foi triste. E minha intenção aqui é poupá-los dessa experiência.

Calçada da Fome

"Votei no Lula mesmo, ele ganhou?"
Este é o terceiro filme que posto aqui do pessoal do Cactos Intactos. A descrição do vídeo no iutube foi feita por eles mesmos e é muito mais precisa e interessante da que eu tinha planejado fazer, então ei-la:

Sensível à palavra de ordem elaborada por Fernando Brant e Milton Nascimento nos anos 70, Cactos Intactos, neste curta-metragem de 5 minutos, premeditou precisamente ir onde o povo está. Com este propósito, o grupo não hesitou em submergir nas profundezas do inferno tupiniquim, onde campeiam, como flagelos, a miséria absoluta e a iniqüidade sádica.

Os depoimentos pungentes colhidos junto a moradores de rua, párias e desvalidos em geral impressionam e surpreendem por sua pungente autenticidade.

Reivindicar e protestar em nome dos excluídos sociais, vítimas da globalização imperialista é importante e imprescindível, mas escutar com atenção o que eles têm a dizer sobre a própria situação não deixa de ser também fundamental.

Curta de Quinta - O Ex-Exú

Como a pressa é inimiga da perfeição e de tudo mais que se deseja deixar de lado para culpar a falta de tempo, copiarei descaradamente a sinopse deste curta do site Porta Curtas -- que pelo qual nutro sentimentos dúbios; uma verdadeira relação de amor e ódio.

O que eles (e o pessoal do Curtagora) têm a dizer é o seguinte:

Em homenagem explícita ao Glauber Rocha dos tempos do programa Abertura, o grupo de guerrilha cultural Cactos Intactos faz sua estréia cinematográfica. O filme gira em torno de uma exótica e enigmática entidade mundana, oriunda da fauna bizarra das ruas cariocas, uma anti-celebridade por excelência, que pode ser visto como uma espécie de contra-parente do Pai Ubú, personagem criado pelo escritor surrealista Alfred Jarry.

O Ex-Exú

"Poesia é coisa de vagabundo"
Esse curta parece não ter início nem fim: tem oito minutos de "meio".

Trata-se uma entrevista com um sujeito que se intitula o Ex-exú. No entanto, suas respostas vagas e moralistas não importam muito, pois são as perguntas poéticas e pomposas que se destacam e dão graça à coisa toda.

Foi filmado em novembro de 2004 pelo grupo Cactos Intactos, sobre o qual não tenho muitas informações além do site e da filmografia. Se os outros filmes forem como este, aparecerão aqui nas próximas semanas.

Clarice Lispector

No ano passado eu tinha visto na TV Cultura o finalzinho da entrevista da Clarice Lispector, realizada em 1977. Procurei, logo depois, pelo programa completo em vários desses sites de vídeo, mas nada encontrei.

Vi, então, nessa semana, no blog do Leonardo Bernardes, que a entrevista andava escondida na imensidão do iutube. São três partes (ou quatro, com esta). Excelente.

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boring stuff

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