Inicialmente achei que fosse um fenômeno localizado, específico de um determinado grupo, mas logo notei que estava por todos os lugares. Até agora há pouco eu tinha minhas dúvidas sobre as reais motivações que impulsionavam pessoas a esse costume horrendo, mas num e-mail repleto de exclamações estava a resposta.
Na minha ingenuidade e inicial surpresa (e posterior repulsa, diga-se), imaginava que apenas os jovens politizados e engajados empregavam o uso do símbolo @ para caracterizar o gênero de uma palavra no plural. Ou melhor, para generalizar o gênero. Sim, pois dizer que você tem vários amigos é quase uma ofensa para suas amigas, ainda que elas estejam incluídas nesse grupo de amigos (e amigas) que você possui. Para evitar que isso aconteça, basta dizer que você possui muitos amig@s. Quero dizer, muit@s amig@s.
Lindo, não?
E eu diria mais: democrático.
Mas se com apenas duas palavras grafadas assim eu já me sinto um tanto incomodado, desnecessário dizer que num e-mail de apenas dois ou três parágrafos o conjunto da obra se torna uma aberração. São tantos símbolos desse que você chega a pensar que a mensagem veio com um encoding errado. Ou que o remetente estava bêbado e escreveu os endereços dos destinatários no campo do assunto.
E eu já vi isso por tantos lugares, em blogs (claro) e afins, que tenho um sincero receio de que essa coisa vire moda, se já não virou.
Mas, então, volto ao e-mail que recebi. Em verdade, são dois, em uma lista de discussão. O primeiro eu nem li, mas o sujeito escreveu normalmente e ao fim mandou um "abraço aos companheiros" e tal. Tudo bem. Depois veio a resposta de uma garota que também não deve ter lido a mensagem do cara, mas que, acusando-o de ter sido machista, disse que ele deveria mandar um abraço para as companheiras também. E várias exclamações para reforçar o argumento.
Deduz-se que para evitar o problema o sujeito deve: 1) dizer que ele está mandando um abraço tanto para os companheiros homens, quanto para as companheiras mulheres (e para evitar mais outros preconceitos, para os transgêneres também); ou 2) simplesmente abraçar tod@s @s querid@s companheir@s.
Note que o problema em questão não é tanto o do plural, mas sim o da possibilidade de manifestação de alguma feminista chata ou algo assim.
O título deste post já anuncia o que acho disso tudo, mas queria salientar que optei pelo @ para evitar mal-entendidos e interpretações sexistas. Afinal, idiota é uma palavra feminina e as garotas-do-arroba poderiam achar que estou excluindo os homens da minha ofensa, o que, além de "machismo", seria uma grande inverdade. Esse tipo de estupidez, como a maioria das coisas, independe do sexo.
No mais, indico a leitura disso aqui para @s car@s visitantes, apostando (e torcendo para) que talvez esse costume advenha da mais pura e simples ignorância.