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insensitive clod

esta resenha d'Os Amantes do Círculo Polar me fez lembrar do meu problema com este filme. com este tipo de filme, aliás.

porque tamanho melodrama até se justifica se você estiver acompanhado. quando eu o assisti, estava. providenciei, então, o filme (sugestão dela, que o veria pela segunda vez, acho), já intuindo a tônica do roteiro que o título SUSCITA. não digo que não tem os seus momentos - porque tem -, mas ali no final, quando se dá o clímax e etc., a garota ao meu lado se comove quase que sinceramente e eu não evito a risada. (seguida por aquela cara de "tá certo, entendi que te comoveu, mas agora pára com isso que não é pra tanto.")

nunca mais a vi.


I don't dig this shit. at all.

a clockwork vinyl

via Rodrigo Sanches, o vídeo acima é um trecho DANÇANTE de VINYL (1965), uma versão de Andy Warhol para o livro Laranja Mecânica, que conta com a sua queridinha Edie Sedgwick - a única mulher do elenco.

ao que parece, este CANTO é a única locação do filme, que não encontrei completo por aí, ainda que neste vídeo (sem som) seja possível ter uma vaga ídeia - em FAST-FORWARD - do que ocorre nos 70 minutos de suposta ultraviolência & the old in-out, in-out.

vinyl

e é claro que tem S&M nesse filme: "Gerard being ASHED by Edie Sedgwick"

não tenho idéia do que Wahrol fez com o livro de Burgess, mas deve ser no mínimo interessante.

quero dizer, até que dá pra ter uma idéia: há um remake CASEIRO chamado VINIL, feito em 2007. o filme está em inglês e legendado em español. desisti logo nos primeiros minutos, mas são quatro partes e a caixa de comentários está aberta às resenhas daqueles que conseguirem encarar esse tributo.

...

PS: Rodrigo também cita um artigo da Pauline Kael sobre a Laranja do Kubrick, e aproveito a deixa pra EMPURRAR-VOS uma boa entrevista com ela que postei aqui um tempo atrás.

ODBYE

aí terminei de assistir agora ao boogie nights -- tinha visto apenas aquele longo começo sem cortes, com a câmera passeando pela discoteca e flagrando diálogos, sempre em movimento -- e antes de qualquer outra coisa o filme quer dizer outras duas muito mais importantes e de forma bem clara. a saber: 1. a vida não tem sentido nenhum; e 2. os 80's mataram os 70's.

ok, filosofia rasa sobre um filme SOBRE (crescendo) pornografia (metachanchada?) não costuma ser algo suficientemente profícuo para que valha a pena destilar dois dedos de prosa a respeito, mas peço para que atentem para a hora de publicação deste post e, após a devida surpresa (ou choque), leiam-me com alguma atenção. pronto? ok.

uno: a vida não tem sentido nenhum mesmo. you don't need to go any further. o filme, no caso, apenas assina, em duas ou três vias, sua ciência do fato ao jogar todos os personagens na merda (e no fim tira alguns lá, é verdade, mas eles vão cair de novo, como sempre caem. ou então apenas emergiram momentaneamente pra respirar um ar. de merda).

dos: na festa da virada da década, metem uma faixa rosa na ponta do telhado, sobre aquela madeira que fica logo abaixo do final das telhas, vocês sabem, aquilo tem um nome e as pessoas o pintam de branco pra combinar com qualquer que seja a cor da parede, que no caso era de madeira também, ainda que fosse, em verdade, uma ampla varanda; e eles metem essa faixa rosinha que diz GOODBYE 70's HELLO 80's em tinta preta e letra cursiva (da rollergirl, aposto) e aí ela tira uma polaroid de tão perto da faixa que deve ter fotografado apenas um pedaço dos dizeres, algo como ODBYE, sabe?, e sai patinando toda feliz e tal. e o filme todinho está nessa faixa rosa e na rollergirl (sempre com seus patins) e na polaroid e na deveras irônica e inocente boas vindas aos 80's que vão arremessar tudo e todos, pelos bagos, para a grande e quiçá infindável fossa do fracasso. ploft.

haja uísque. (ou vinho, aqui.)

mas aí volto ligeiramente ao passo UNO porque a curva não é apenas descendente, mas vertiginosa, pois, oh, como todos envelhecem e a garotinha dos patins de outrora já carrega algumas ruguinhas e um nariz completamente fodido pela coca; a outra, mais velha, amber, já era mesmo mais velha antes e vai, podemos dizer, amadurecendo ao longo do longa, também vencendo CARREIRAS com canudinhos de dólar e apresenta traços de certa superação no final quando, diante do espelho, looks like a MILF (não que não fosse antes, mas isso é evidenciado pelo adjetivo foxy que lhe é atribuído). o intervalo temporal é de poucos anos, mas havemos de convir que uma virada de década, isto é, o acrescer de uma unidade na casa das dezenas é algo que demanda um esforço (muito) maior que um simples estourar de xampãnhe ou festividades roupa-branca-pula-onda. porque todas as coisas acabam e esse é o sinal numérico disso, o prelúdio da decadência -- se numerologia fosse só isso, eu comprava.

a parte filosófica, tão rasa quanto a maioria das 'filosofadas' que lemos por aí, é justamente essa: ter a sagacidade em ponderar até onde vale a pena se convencer de que vai dar tudo certo.

porque não vai.

boogie nights carrega no título alguma nostalgia que só é escancarada ali, na cena da faixa rosa. nostalgia essa tão distante e incompleta quanto ODBYE numa polaroid ou patins com dois pares de rodas e freio na frente.

um niilismo chanchada, eu digo.

boring stuff

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