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yada yada yada cigarros

eis que vejo que a capa do UOL está repleta de links anticigarro porque aparentemente hoje é o dia que escolheram pra fazer isso. daí você invariavelmente esbarra com diversos textos assim, que passam longe de ser qualquer coisa minimamente interessante.

num dia de COMBATE, penso eu, seria bom encontrar alguns artigos mais científicos e menos idiotas. mas não.

de minha parte, reafirmo, acho que você, fumante, tem mais é que continuar fumando, se isso te dá prazer. e ponto. simples assim. ninguém tem nada como isso: exala a fumaça e faz o que quiser.

e, veja só, como já estou fazendo uma espécie de contraponto (e pouco caso) à campanha de hoje, incorporo de vez o espírito da resistência e aproveito para despejar sobre vossos corpitchos saudáveis uma torrente de bons e irrefutáveis argumentos, não lá muito científicos, é verdade, mas essencialmente EMPÍRICOS e de beleza inegável, algo intangíveis e ligeiramente inadequados para espaços públicos, que podem ser conferidos AQUI.

leva um maço pra casa quem conseguir contra-argumentar com isso.

Simples

Um infeliz caiu aqui, mais especificamente aqui, via google, com o seguinte termo: "oq falar para um fumante que nao aceita largar o vicio".

A resposta é simples: nada.

Curta de Quinta - No Bar

Inspirado pelos recentes comentários do post Não Pare de Fumar, resolvi procurar por algum curta que falasse sobre o cigarro e encontrei este, que gira em torno da lei federal que obriga os fabricantes a imprimirem aquelas imagens de advertência no verso dos maços para desestimular o hábito de fumar.

No Bar

"Enquanto o vídeo carrega, me vê o do câncer aí"

O curta é de 2002, mesmo ano em que essa lei entrou em vigor, e foi dirigido por Cleiton Stringhini e Paulo de Tarso Mendonça. No elenco, Laura Cardoso, Maurício Marques e Pedro Paulo Eva.

Mesmo tendo o enfoque no cigarro, dá pra aprender algumas boas piadas de bêbado também. O filme é engraçado, mas é provável que aqueles que têm ojeriza ao tabaco careçam de certa sensibilidade humorística.

Não Pare de Fumar

Fogo

Não, não é uma ironia. Nem uma piada.

Também não é uma manifestação indireta de repúdio aos fumantes e tampouco um incentivo para que morram mais cedo. Mesmo porque essas coisas fazem parte do repertório apocalíptico daqueles que enchem o saco dos outros para que parem de fumar -- o que não é o meu caso, pois estou dizendo justamente o contrário. E, novamente, não é uma ironia.

As pessoas adoram mandar nas outras. No caso do tabaco, eu ouço apenas dois tipos de imperativos diferentes: o dos chatos que bradam o clássico "pare de fumar" e o dos donos de empresas do setor que, também inconvenientes, gritam o seu "fumar é legal." Quer dizer, agora eles apenas sussurram por aí, meio que subliminarmente, nas padarias e nos botecos, já que foram afastados da onipotência televisiva.

E como qualquer pessoa normal, este que vos fala também é acometido por certos ímpetos totalitaristas, mas que, felizmente, revelam-se efêmeros e quase indolores. Pode não parecer, mas sou uma pessoa mais ou menos boa.

Enfim, apesar de soar como uma ordem, o título não-irônico deste texto pode ser entendido mais como um conselho amigável do que como um terceiro imperativo -- muito embora ele tenha suas semelhanças com o que repetem as grandes empresas. Profiro-o, pois, justamente para dar ao leitor fumante uma alternativa mais agradável e plausível, condizente com a realidade dos que fumam porque gostam nesse mundinho tão hostil e intolerante.

Eu, por exemplo, fumo esporadicamente. Naquelas madrugadas longas e silenciosas, escorado na janela e olhando para o Nada, um cigarro cai bem. Um maço, comigo, dura vários dias. Poder-se-ia até dizer que sou como um fumante semi-passivo (ou semi-ativo), como um proto-fumante, um quase-viciado, um semi-dependente, um fumista parcial, um (por que não?) incompleto "idiota". Eu sei, leitor mal-cheiroso, mais ou menos como você se sente.

No entanto, o meu imperativo, sem fins lucrativos ou homicidas, é pra ser entendido como um belo e sonoro "fodam-se". Aos chatos, claro. Pois me incomoda essa preocupação excessiva que as pessoas têm com a saúde alheia: se eu fumo, se eu bebo, se eu uso drogas, se passo o dia inteiro vidrado na Rede Globo, se eu me alimento apenas com fast-food ou se tudo o que leio são "livros" de auto-ajuda, isso é um problema exclusivamente meu.

(Ok, nem tanto. Ler auto-ajuda passa a ser um problema para as pessoas próximas também, uma vez que os leitores dessas coisas tornam-se tão chatos quanto os Testemunhas de Jeová que costumavam me acordar no sábado de manhã. Citei esses panfletos apenas pela força do exemplo, espero que compreendam.)

O que eu quero dizer é que a exaltação ao bem-estar e a busca desesperada por qualidade de vida (seja lá o que isso realmente signifique) deveria ser voluntária e pessoal, e não motivo de campanhas e histeria coletiva. Deixem os fumantes fumarem, ora! Se isso lhes dá prazer, se lhes faz sentir bem, ótimo. Prazer é "qualidade de vida" também, não é? Quem acha que esse prazer não compensa os riscos à saúde, simplesmente não fuma. Por que havemos de complicar as coisas?

Continuem, pois, fumando tranqüilamente: cada um faz o que quer -- e eu sei que esta é uma frase já calejada e pouco original, mas alguns se esquecem ou ignoram até mesmo as constatações mais triviais.

E ainda, o que acho curioso, tem gente que se empenha, por motivos ocultos, em decorar discursos anti-tabaco, em citar estatísticas e pesquisas, em falar de câncer, de problemas cardio-respiratórios e outras tantas complicações -- vocês conhecem esses tipos -- mas que acabam se revelando pessoas infelizes e, claro (e talvez por isso mesmo), incômodas. Ao invés de gozar de seus prazeres, atrapalham o gozo alheio. O que é, para dizer o mínimo, uma baita sacanagem.

Sei que há aquele argumento hipocondríaco dos fumantes passivos, que afirmam estar morrendo aos poucos. Paciência, colegas, todos nós estamos. E o cigarro não é lá um ícone muito importante em nosso avantajado panteão de problemas -- a não ser que surjam com um estudo científico dizendo que os fumantes são os principais responsáveis pelo aquecimento global; daí eu me rendo e aceito as pedradas.

Para os que chegaram até aqui sem fazer cara feia, um vídeo, que nesses tempos digitais também vale mais do que um punhado de palavras, do comediante ianque Bill Hicks (falecido, sim. Câncer. No pâncreas):

Trecho da apresentação chamada Sane Man. Se lhe agradar, ela está disponível no iutube também.

* * *

Texto inspirado, numa madrugada longa e sem cigarros, por este bom artigo da Ariadne Rengstl. Ou melhor, por um dos comentários deixados por lá.

comentários

boring stuff

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