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prostituição à francesa 101

ou: FAQ - prostitutas francesas circa 1960; how to.

...

"O que é preciso fazer, exatamente?"

"A prostituta comercia seu charme de modo a ganhar a maior quantidade de dinheiro possível, para fazer uma boa clientela e estabelecer melhores condições de aproveitamento."

"É importante ser bonita?"

"Não é indispensável a uma prostituta. É seu físico que classifica a hierarquia da prostituição e sobretudo a atenção do cafetão já que deslumbramento físico pode ser uma imensa fonte de lucro."

"É necessário registrar-se?"

"Desde a lei de 13 de Abril de 1946, prostitutas são submetidas a uma inspeção médica, mas não policial. A lei de 1946 e o decreto 2,253 de 5 de Novembro de 1947 organizou o Registro Nacional Sanitário para todas as mulheres que haja evidência conclusiva de se dedicar a uma vida de prostituição."

"Mas o que eu devo fazer?"

"Todo lugar onde a mulher opera, o procedimento é o mesmo. Por seu vestuário, maquiagem e sua forma de andar, a prostituta mostra claramente o motivo de sua presença na calçada. Algumas vezes, desafiando a lei, ela se dirige diretamente
ao cliente."

"Quando eu cobro?"

"De 300 a 15,000 francos por um encontro que pode variar de alguns minutos a uma hora. A taca para uma noite toda vai de 5.000 a 50.000 francos."

"Posso ir a qualquer lugar?"

"Tentaram colocar controles, em Paris especialmente, uma regulamentação policial de
25 de Agosto de 1958 proíbe vaguear com intento de se prostituir a certas horas, no Bois de Boulogne e perto dos Campos Elíseos."

"Eu fico com uma porcentagem?"

"Uma taxa diária é fixada antes. Nas redondezas dos Campos Elíseos a taxa é de 20,000 a 30,000 francos por dia, pagos semanalmente."

"Eu tenho um quarto para mim?"

"Hotéis costumam trocar as toalhas, mas não os lençóis. Em alguns hotéis, a cama só tem a cobertura de baixo."

"E a polícia?"

"Elas fazem batidas, interrogatórios. A prostituta que não esteja regular é mandada aos hospitais onde ela é completamente examinada."

"Posso tomar algo num café?"

"Uma prostituta que exagera na bebida é um endividamento, ela é considerada indesejável por fazer escândalos."

"E se eu ficar grávida?"

"As pessoas pensam que prostitutas sempre fazem aborto. Isso não é exato. Elas tentam evitar a gravidez, por drogas ou qualquer outro meio possivel. Mas quando a gravidez é confirmada, abortos são raros.

"Eu devo aceitar qualquer um?"

"A prostituta deve sempre estar à disposição do cliente. Ela deve aceitar qualquer um que pague. Esse ali... Esse ali..."

"Há clientes todos os dias?"

"A jornada média das prostitutas de categorias inferiores é de cinco a oito clientes por dia. Elas ganham de 4 a 8 mil por dia, mas algumas ganham somas extraordinárias. Uma cifra de 60 clientes num feriado não é anormal."

"E os dias de folga?"

"Normalmente depois do exame médico, seu homem aproveita para levá-la a um passeio, muitas vezes para o campo, para ver seu filho. Depois, vão a um restaurante ou ao cinema."

...

melhor resposta, esta última.

ir ao campo apresentar a prostituta ao filho é algo digno de um cavalheiro. deve render um belo diálogo.

mas devemos ignorar as incoerências, pois este é um filme onde Anna (Nana) Karina é uma mulher fácil. o que não encaixa tão bem, mas sem dúvida tem seu charme.

copiei o trecho acima da legenda; tradução meio sofrível.

...

só quero ajudar.

considerações diversas sobre garotas

segundo Dylan, no celeiro beat

em 61, Dylan se mandou do Minnesota para tentar a vida em bares e clubes da noite novaiorquina, dividindo o microfone com uma porção de outros artistas e poetas com ambições similares.

suas necessidades: arranjar uns trocados com as apresentações para poder se manter na cidade e/ou conseguir algum contato pra gravar ou se apresentar por aí.

o problema: enquanto dedilhava algumas canções de Guthrie e assoprava a gaita num dos únicos neck racks da região (artigo raro), não tinha como arrecadar as moedas do público. ganhava menos do que poderia.

a solução: depois de várias noites nessa rotina, descobriu que poderia aumentar a arrecadação se uma garota bonita passasse reunindo trocados num chapéu enquanto ele tocava. e funcionava: conseguia, assim, arrecadar praticamente o dobro.

o problema: tinha que dividir essa grana com ela.


segundo qualquer um de nós, numa segunda-feira nublada, às 8:15 AM
(ou: woke up this morning, found my baby gone)

realmente não importa se a garota está contigo desde o dia anterior, há pouco mais de três semanas ou se ela é, vá lá, sua esposa: encontrar-se abandonado numa segunda-feira de manhã é uma punhalada que só elas sabem dar.

dói, mas pelo menos serve pra justificar os altos gastos com uísque.


segundo Godard,

"tudo que você precisa para um filme é uma arma e uma garota."

e acrescento que se a garota for (como) a Anna Karina, você não precisa da arma.

nem de um eventual roteiro.


segundo Tom, indo para Jersey/Guarulhos

a garota está na cidade vizinha. então, sem tempo pro bagulho ou pras putas da oitava avenida, atravessa NY/SP à noite: quer logo chama-la, abraçá-la, beijá-la e shalalá-la.

Confesso que não compreendo muito bem a relação entre a música dos Rolling Stones, o movimento Black Power e todo aquele ativismo político em Sympathy for the Devil (1968), do Godard.

Dizem que ele queria fazer um documentário com os Beatles, mas o grupo rejeitou a proposta e ele partiu para a segunda principal banda inglesa da época -- os Stones.

Vemos a banda em estúdio para a gravação de Sympathy for the Devil (Beggars Banquet, 1968) e os primeiros versos e acordes são repetidos à exaustão. Começam de novo, mudam uma coisa ou outra, e quando você percebe já está com as duas primeiras estrofes na cabeça. A qualidade da filmagem é excelente e é um registro bem interessante do processo de gravação.

Heil

Fascist Fashion

No entanto, essa "linha mestra" do filme é entremeada por monólogos intermináveis de militantes negros, uma entrevista absurda no meio do mato com Eve Democracy (Anne Wiazemsky, a bonitinha Venorique de La Chinoise), pixações em carros e em muros com neologismos geniais (tipo Sovietcong e Cinemarxism), e a leitura de um texto numa livraria onde os clientes, antes de sair, dão tapas na cara de dois sujeitos num balcão e fazem a saudação nazista para o dono do local, um rapaz vestido de roxo que lê os trechos em questão -- segundo o IMDb, trata-se um fascist porno book seller. É bem isso. Crazy stuff.

U.S.N.A.Z.I.

A música me veio à cabeça, trouxe consigo a lembrança do filme e é só por isso comentando sobre os dois. Aliás, recordo-me agora, também, que me disseram uma vez que essa música do Stones era uma homenagem ao cineasta underground Kenneth Anger (e, porra, o velho tem Lucifer tatuado no peito, de mamilo à mamilo), mas quando pesquisei sobre a letra descobri que a relação era legal demais pra ser verdade.

Aliás, Anger já devia ter passado por aqui há tempos. Trago-o em breve.

boring stuff

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