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O Mito da Reciclagem

Eu não costumo reciclar. Sou meio preguiçoso. Cá no meu prédio, bem ali no fim do corredor, há uma portinha que dá para um grande tambor plástico e uma prateleira. No tambor vai o lixo comum e na grade de metal fica tudo o que for reciclável. É fácil.

A quantidade de lixo que produzo (no mundo real, não aqui) é ridícula. Basicamente são embalagens de leite, pão, frios em geral, borra de café e coisas assim. Quando garrafas plásticas ou as de cerveja, vinho, etc. vão acumulando, coloco-as num saco plástico e as repouso na prateleira metálica para serem reaproveitadas. Caixas de papelão daquelas pizzas de forno, idem. Mas é só. Crucifiquem-me.

Na faculdade, no entanto, há vários daqueles conjuntos de lixeiras coloridas, uma para cada tipo de material. Como bom cidadão, jogo as coisas nos cestos corretos. Aliás, não sei se li em algum lugar ou se me disseram (nada muito confiável), mas parece que aqui em Curitiba reciclam muita coisa, se bem lembro, algo como 1/3 do lixo. O número deve ser falso.

A começar pelo meu próprio prédio, há um grande incentivo à reciclagem na cidade. Na traseira de alguns ônibus, bolinhas de papel dotadas de pernas e um grande sorriso te dizem que separar o lixo é legal, qualquer coisa como "se você reciclar o papel, ele volta". Há propagandas nos pontos de ônibus e outdoors e as lixeiras coloridas não costumam ser raridade. Como já vos disse, é bem fácil ser "ecologicamente correto" por aqui.

No entanto, hoje presenciei uma cena impagável, da qual já desconfiava ser verdade: enquanto falávamos besteira num dos bancos da faculdade, observávamos um pequeno tratorzinho que puxava uma carreta de madeira, cheia de sacos de lixo. Este parou bem à nossa frente e dois funcionários desceram da carreta para recolher o lixo separado das lixeiras. Eu ri meio desiludido, um colega também, mas os outros ficaram um tanto indignados aos ver os copinhos plásticos serem misturados com restos de comida e latas de refrigerante, tudo num mesmo saco. Jogaram-no na carreta e foram para o próximo conjunto de lixeiras.

Lixeiras

Lixo separado é lixo reciclado... NOT!

As histórias de que isso acontece são várias, mas ver a cena toda foi interessante.

Como eu disse no post anterior, é muito mais fácil querer conscientizar os outros do que realmente fazer alguma coisa. Você é adestrado para separar o lixo, para ser ecologicamente correto, para preocupar-se com o planeta e toda aquela ladainha incrivelmente maçante dos ecochatos, mas eles (os funcionários, a prefeitura, o Satã) juntam tudo num saco só e foda-se. A partir de hoje, ao menos na faculdade, sei que posso poupar os dois ou três segundos necessários para descobrir qual é a cor correta para o meu copinho plástico (os adesivos inexistem indicativos, você tem que enfiar a cara na lixeira pra ver o que predomina lá dentro). Ou então eu poderia seguir o exemplo de alguns alunos e jogar tudo no chão. Afinal, tanto faz, não é mesmo?

Enfim, ouso dizer que a moral da história é a seguinte: a preguiça nos livra da auto-enganação. Qualquer coisa assim.

Mas reciclem, sei lá. Continuem "fazendo a sua parte" e tal. Vai que eles passam a fazer a coleta direito. Nunca se sabe.

Em tempo: o título do post vem deste artigo. Eu o li há muito, muito tempo, nem sei como cheguei até ele, e confesso que já não me lembro da argumentação do sujeito. Resta-me apenas a lembrança de ser um bom artigo e por isso o recomendo -- e faz mais jus ao título do que este meu texto; diz que a reciclagem muitas vezes não é viável e, por isso, é um mito (yeah, tremei, ecochatos! Leiam lá).

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