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Shot by Kern

Foi no começo de 2006, num cineclube que rolava no 8º andar da reitoria da UFPR, que tive meu horizonte cinematográfico consideravelmente expandido, especialmente por conta dos vários curtas concebidos pelo controverso CINEMA OF TRANSGRESSION, que emergiu da cena pós-punk novaiorquina circa 1984 até esgotar-se no início dos 1990; com a proposta de chocar, violentar o espectador ao transgredir tabus (a lista é grande) com câmeras baratas, orçamento baixíssimo e muito humor negro. Pornografia & violência totalmente THRASH.

Dos artistas envolvidos nessas transgressões, um dos nomes mais conhecidos é Richard Kern, que ingressou no campo artístico através da fotografia e que se meteu de cabeça no MOVIMENTO, tendo produzido mais de uma dezena curtas sob o estandarte erguido por Nick Zedd, com quem, aliás, divide a direção do emblemático THRUST IN ME (1985).

Em meados de 90, após o fim do COT, Kern ainda produziu alguns videoclipes, como Lunchbox -- e nessa época o Marilyn Manson era um tanto menos ANDRÓGINO -- e o sensacional Detachable Penis (vídeo acima), da banda King Missile. Também filmou, em 1985, o primeiro clipe do Sonic Youth, Death Valley '69 -- e a capa do disco EVOL (1986), vale dizer, é uma cena de You Killed Me First (1985), um dos primeiros filmes de Kern.

Feita a devida introdução, o que motivou este texto foram algumas polaroids até então não-publicadas, tiradas entre 1986-96, que são uma mostra interessante do trabalho de Kern, que abandonou o cinema e retornou à fotografia, cujo principal tema são nus feminos, bondage e fetiches diversos, mantendo um estilo derivado de seus filmes. Um aspecto importante na fotografia de Kern é que as modelos nunca são perfeitas, nunca são aquelas garotas sem defeitos que costumam ser as personagens da grande maioria de ensaios desse tipo. As garotas de Kern são garotas QUAISQUER, daquelas que te chamam a atenção na fila do supermercado ou na rua mas que não necessariamente te deixam embasbacado (ou pelo menos não nesses ambientes).

Mais recentemente, a Vice Magazine promoveu uma série de pequenos vídeos (entre 3 e 5 minutos), intitulada SHOT BY KERN, que contam com depoimentos dele e de suas modelos, antes, depois e durante os ensaios. Cada vídeo conta com uma garota (ou uma bela DUPLA) e cobre rapidamente os motivos que as levaram até lá, suas impressões sobre o trabalho e alguns comentários do fotógrafo. Afirmo que é um MUST-SEE para qualquer um que tem o mínimo de SIMPATIA por soft-core & stuff.

E digo mais: gotta love Sophie.

Behold the S-curve!

(Talvez o feed não mostre o vídeo da Sophie. Nesse caso, veja aqui.)

EVU

De volta à programação normal, devo dizer que minha fotógrafa preferia é, sem dúvida, a Ellen von Unwerth. Também devo dizer que desconfio não conhecer outras fotógrafas e que único nome que lembro agora é o do Raphael Class. Mas enfim, creio ser um tanto difícil rivalizá-la e mostrarei porquê -- e só o farei por causa da fotografia que vi aqui, ontem.

Foram, já há um bom tempo, algumas fotos do Revenge que me ganharam. Daquelas com as quais você tromba em todo lugar e custa a descobrir de quem e de onde são.

Aqui, servirão como único argumento:

"I love all the old pictures--of spanking and Bettie Page and corsets. But you can't do spanking in fashion, so I wanted to do a project where I could really let go and get girls who also love those things."

"I'm just trying to make beautiful pictures. I don't see my works as exploitative. They're just cheeky, they're fun, and the models aren't complaining."

Certo?

E há mais. Muito mais.

Não leva muito tempo para familiarizar-se com as sombras, ângulos, temáticas e expressões, e se torna bastante interessante a tentativa de intuir a autoria de fotos espalhadas internet afora, pois há algo muito particular que todos esses punhados de pixel (& negativos) compartilham. Não porque os trabalhos sejam todos iguais -- não são --, mas pelo ESTILO. Há muito aí, acreditem.

De nada.

...

E aproveitando essa introdução não-intencional, modulada em R-rated (para que eu possa ir em direção ao X-rated, ainda que VERBAL), fiz meu priemiro post no Impop sobre a Karen Finley, cantora/atriz que me foi recomendada pelo Tiago dia desses. Vejam lá.

Fazendo títulos de título

Demorei um bom tempo para vir com o título do post anterior e isso é algo que sempre acontece comigo. No entanto, desta vez a dificuldade me fez lembrar de algo completamente diferente, de um fotógrafo que eu realmente gosto, e que intitula as fotos usando a palavra title no lugar de outras palavras, como "it's a title statement", "don't you title from there" ou "at the foot of the title". E, vejam, é tão simples e tão genial e tão VASTO. Mas esta é uma das últimas coisas nas quais você irá reparar, acredite, pois só estou dizendo isso uns 3 anos depois de ter conhecido o trabalho do Raphael Class. Você vai entender.

Toda Nudez Será Aclamada

Talvez seja a má herança genética, alguma patologia ou mesmo as conseqüências do uso indiscriminado de substâncias ilícitas, mas tem muita coisa por aí que eu não compreendo.

CarnavalOntem vi uns cinco minutos do desfile de carnaval lá do Rio de Janeiro. Tudo muito colorido e animado. Faraônico, por assim dizer. Entretanto, as únicas coisas que me tiraram brevemente da indiferença e do desgosto foram as mulheres praticamente nuas e siliconadas -- o que é importante para conferir-lhes curvas que não costumamos ver por aí com tanta freqüência; pelo menos não de forma tão exposta.

Pois bem, nesses poucos minutos de contemplação, ao que parece no final da apresentação de uma das escolas, filmaram uma moça que estava tão semi-nua, mas tão semi-nua, que, por arredondamento, estava completamente nua mesmo.

Achei ótimo, claro.

(Creio que seja essa aí do lado, encontrei-a aqui, mas a quantidade de moças nos mesmos "trajes" já me impede de ter certeza.)

O que eu não sei é qual a diferença entre ficar nua num sambódromo ou nua numa praia, por exemplo.

Em verdade, sei sim: essencialmente nenhuma. Só que lá na areia é atentado violento ao pudor e no desfile, carnaval.

Não entendo nada de direito e nem sei exatamente o que diz(em) a(s) lei(s) que reprime(m) os mais despudorados, mas suponho que o argumento seja o de que não é uma "boa prática" ficar pelada no meio de um monte de gente, exibindo-se, chamando a atenção de todos e ofendendo os mais froux... digo, sensíveis.

No entanto, mesmo baseando este texto nos meus cinco minutos anuais de carnaval, posso afirmar que desfilar nua tem como único propósito o exibicionismo e a busca pela atenção de todos -- como se não bastasse ser o destaque e ter que sambar solitária na frente de uma alegoria qualquer diante de uma infinidade de pessoas nas arquibancadas e de um sem número de telespectadores (e por mais cruel que seja o aquecimento global, jamais terá tanta gente assim em nossa praia hipotética).

Aliás, ocorre-me agora, trata-se de uma grande incoerência: gastam-se fortunas em fantasias para as dezenas de centenas de integrantes de uma escola, mas os verdadeiros destaques são as mulheres (semi-)nuas.

Deixemos de ser hipócritas, sim? Convencionemos o seguinte: o velho louco que entra nu em uma festa de crianças esfregando o pau em todos os rostinhos inocentes está cometendo esse atentado violento ao pudor (e provavelmente mais algumas outras coisas); a mulher que está afim de mostrar o corpo esculpido na academia ou na mesa de cirurgia e acha o minúsculo biquíni incômodo, não está atentando contra nada. Que se livre da peça, ora!, nada mais natural.

Com isso, também poderíamos deixar a hipocrisia de lado e abolir essa frescura de "tapa-sexo" ou seja lá como chamam essas coisas. Como podemos conferir na foto, aquilo e nada é praticamente a mesma coisa. Tirem tudo de uma vez, é o que todo mundo quer ver mas finge que não quer.

(As origens não importam mais: carnaval virou putaria e isso é fato. Então que façam logo um bloco da nudez, distribuam baldes de camisinhas e transformem esses quatro ou cinco dias num verdadeiro bacanal. Seríamos todos muito mais felizes, bem dispostos e humorados, não?)

É por essas e outras que acho muito bem-vinda a reivindicação de um grupo de suecas que quer ter o direito ao topless nos mesmos lugares onde os homens podem ficar sem camisa. Nada mais justo.

Acho que as mulheres daqui também deveriam vestir essa camisa, embora esta deva ser uma das raras ocasiões onde as camisetas de protesto não caiam muito bem.

E fiquem tranqüilos, este é o único post sobre carnaval do ano. Quiçá do blog.

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boring stuff

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