Eu poderia falar do aniversário de São Paulo, da morte do novo Coringa, do vereador-exorcista Cururu, dos altos e baixos das bolsas de valores, do vídeo do Tom Cruise sobre cientologia, da paródia do vídeo do Tom Cruise sobre cientologia, dos peitos recém siliconados daquela argentina que encontrou uma maleta cheia de grana, do mais novo lançamento da Apple ou até mesmo do novo favicon do Google Reader. Eu poderia, também, começar a falar de gadgets, não parar de falar gadgets, dizer tudo sobre os novos e tão esperados gadgets e repetir o que os outros andam dizendo sobre esses mesmos gadgets.
Porra, eu poderia falar do Big Brother, eu poderia citar 1984 também, eu poderia falar dos peitos também siliconados de alguma interna desse programa que eu não assisto (e isso não faz diferença, pois para dissimular meu desconhecimento eu poderia falar um pouco sobre... gadgets).
(E eu poderia encher de links os dois parágrafos anteriores para ganhar um certo respeito pelo número de referências que acabei descobrindo numa longa leitura de algumas centenas de itens acumulados de pouco mais de uma centena de feeds de blogs e sites que não faziam mais do que falar de tudo o que eu poderia falar, mas não vou.)
Eu poderia, e talvez fosse até interessante, falar dos filmes que assisti esse mês (em ordem: O Grande Êxtase do Entalhador Steiner, Blowup, I'm Not There, Jango, Redentor, Os Infiltrados, Oldboy, The Cook the Thief His Wife & Her Lover e Jesus Camp), dos livros que li (Ereções, Ejaculações e Exibicionismos (ou Crônicas de um Amor Louco, parte 1), do Bukowski e A Hora da Estrela, da Clarice Lispector), dos livros que estou lendo (Maiakóvski e um chamado Queda Livre), da série que terminei de assistir hoje cujo penúltimo episódio foi ao ar há exatos 40 anos, do texto que venho escrevendo e que já me tomou um tempo 400% maior do que eu tinha em mente ou de outras tantas negligências musicais, literárias, sociais e, claro, bloguísticas.
Aliás, eu poderia falar sobre o que todo e qualquer dono de blog (e o termo blogueiro soa como algo inferiorizador), o que todo e qualquer dono de blog sabe fazer, e o faz com propriedade e não necessariamente com originalidade, que é falar de si mesmo e do próprio espaço -- e de gadgets, que é um assunto corriqueiro. Poderia também reclamar da falta de tempo, da responsabilidade e periodicidade que nos é subconscientemente exigida nesse mundo tão rápido e cheio de informações, em geral, fúteis. Eu poderia falar de compromisso, de interação, de conhecimento e, claro!, da mística e supostamente expressiva blogosfera -- ah, disso eu já falei, e mal; procurem o link aí nos arquivos.
Ora, eu poderia comentar de modo mais profundo sobre tudo isso que ficou mais ou menos subentendido aqui, mas a verdade é que pouco importa (o único link que lamento não poder citar, por pura preguiça, é de um sujeito, de algum blog que já não lembro mais qual é, que comentou que hoje em dia não se faz mais nada de original, nada novo, estamos nessa onda do remake e da aposta constante em fórmulas que já deram certo, o que, de certo modo, é o mesmo que acontece com os blogs -- pura repetição. Então, ao autor desse artigo que li, sinta-se citado.)
Aproveito para dizer que a pressa, o descaso, a falta de links e de formatação (acho que um itálico cairia bem nos gadgets e nos títulos do filmes e livros), assim como o excesso de parênteses, se devem a uma insatisfação que, roubando uma frase da Olivia dita via twitter, pode ser resumida mais ou menos assim: os blogs andam muito chatos (ou qualquer coisa nessa linha).
(E acabo de perceber que o título do post é, ao mesmo tempo, um bom resumo e um bom encerramento, não é? Então encerro.)
