Results tagged “tempo” from navalha

2 centavos

Porque estavam discutindo ali no twitter* sobre a falta de educação da atendente de uma operadora, depois sobre diploma, trabalho no domingo, erro médico e comunismo, mais ou menos nessa ordem, e acabei fazendo dois comentários que eu gostaria de expandir um pouquinho, sem perder a essência da brevidade twitteriana:

1) Ninguém deveria trabalhar nos fins de semana: Ponto. (Dramatização.)

OK, justificativa: temos o suficiente para garantir o descanso merecido de todos os trabalhadores. Ninguém morrerá por falta de abastecimento nesses dois (ou três, vide [2]) dias. Por via das dúvidas, basta instalar máquinas de comida e bebida nas principais avenidas e tal. Feito.

2) 4 dias por semana, 6 horas por dia de trabalho: incluindo aí o networking na salinha do café, visitinha ao orkut e outras formas procrastinação.

Posto isso, façamos contas:

A jornada de trabalho padrão é de 8 horas, 5 dias por semana. Incluamos o sábado para deixar as contas redondas. Isso dá 48 horas de trabalho por semana. Dois dias completos trabalhando (e fazendo networking). Como uma semana tem 168 horas, sobram 120. No entanto, o sero mano dorme em média 8 horas por dia, 56 horas por semana. Sobram 64.

Mas o sujeito tem que se locomover até o trabalho, caçar a refeição, tomar banho, essas coisas. Dia desses vi na tevê uma enquete sobre o tempo que as pessoas perdiam no transito de SP: umas duas horas, em média. Então se você trabalha seis dias por semana, passa umas 12 horas com a bunda no carro ou no ônibus. Sobram 52. E, sei lá, o tempo gasto com refeições e higiene pessoal num dia deve ser algo entre 2 ou 3 horas. Nunca contei, mas que sejam 3, em todos os dias da semana. Sobram apenas 31 horas livres.

Pronto. De 168 horas semanais, você, cidadão comum, tem 31 horas para usar como quiser, para o seu lazer. Isso dá quase 4 horas e 30 minutos por dia que, na maioria dos casos, são gastos no sofá, olhando para uma tela.

Ou seja, você gasta 60 horas semanais com trabalho (incluindo transporte), 56 dormindo, 21 comendo, se limpando, etc; e mais umas 30 fazendo porra nenhuma. Não é lindo?

Não muito.

Com a proposta que fiz acima, a quantidade de trabalho seria reduzida pela metade (24 horas semanais) -- e, provavelmente, o tempo no transito também diminuiria um pouco.

Isso sim é lindo -- e a idéia ir reduzindo o trabalho até o mínimo necessário, de modo que haja emprego para todos e... bem, essa parte mais utópica fica para outro post.

Mas precisamente neste instante um infeliz reclama, gesticulando contra o monitor, que é impossível manter as coisas como são reduzindo tão drasticamente a quantidade de trabalho e blá-blá-blá, ao que respondo com muita elegância e clareza, pero sin perder la ternura: foda-se.

E, depois de uma breve pausa dramática, acrescento, caso haja necessidade: quem é que realmente precisa de um carro do último modelo, de uma televisão de infinitas polegadas, tênis caríssimos ou um iPhone?

(E para evitar que deixem perguntas idiotas nos comentários: não, não tenho celular, nem quero ter um iPhone nem uma televisão gigante, não dou a mínima pra carros. Os gastos que tenho são basicamente com passagens de ônibus, refeições [& drinks, etc.] e livros. Desculpe.)

--

* UPDATE: E cá estão os vários centavos do Thiago e do Doni, que são de fato sobre a discussão que estava rolando de forma meio limitada lá no Twitter. Leiam.

Fato

Os prazos sempre são curtos demais. Sempre.

boring stuff

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.