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subterranean homesick bill

tinha subido este vídeo há pouco mais de um mês pra usar num post, mas acabei esquecendo. este é o comecinho de uma apresentação no Late Chicago Show, em 1990. a qualidade é ruim assim e este é o único ângulo de filmagem. o som, também, é meio tosco. vídeo pra fã, sacumé.

de qualquer forma, ver um mestre citando outro valeu TODA a filmagem.

noutras apresentações ele costumava abrir com Voodoo Chile tocando ao fundo, mas sem tecer comentários sobre a música. aliás, RECOMENDO o segundo vídeo deste post, que é uma boa piada com o Hendrix - e Rick Astley.

do jeito que a coisa vai, é capaz que Bill Hicks deixe de ser uma tag pra virar logo uma categoria neste blog.

RESPECT.

just for the record: seahorse

essa música tem algo, porque:

  1. o começo já me enganou algumas vezes. parece muito com algo do JOMF - que não consegui encontrar pra fazer a referência.
  2. a letra é boa. e simples.
  3. a virada em 6:20 é CERTA. sempre que escuto espero por mais disso e nunca me dão.

deste disco, acho que poderia dizer coisas análogas sobre Cristobal. mas só.

e apesar do verso I want to be a little seahorse ser repetido várias vezes, saibam que não me identifico, não.

i want to be a fisherman

posto que:

1.

2.

2.1


When I grow up I want to be,
One of the harvesters of the sea.
I think before my days are done,
I want to be a fisherman

harmonica hero

Shot by Kern

Foi no começo de 2006, num cineclube que rolava no 8º andar da reitoria da UFPR, que tive meu horizonte cinematográfico consideravelmente expandido, especialmente por conta dos vários curtas concebidos pelo controverso CINEMA OF TRANSGRESSION, que emergiu da cena pós-punk novaiorquina circa 1984 até esgotar-se no início dos 1990; com a proposta de chocar, violentar o espectador ao transgredir tabus (a lista é grande) com câmeras baratas, orçamento baixíssimo e muito humor negro. Pornografia & violência totalmente THRASH.

Dos artistas envolvidos nessas transgressões, um dos nomes mais conhecidos é Richard Kern, que ingressou no campo artístico através da fotografia e que se meteu de cabeça no MOVIMENTO, tendo produzido mais de uma dezena curtas sob o estandarte erguido por Nick Zedd, com quem, aliás, divide a direção do emblemático THRUST IN ME (1985).

Em meados de 90, após o fim do COT, Kern ainda produziu alguns videoclipes, como Lunchbox -- e nessa época o Marilyn Manson era um tanto menos ANDRÓGINO -- e o sensacional Detachable Penis (vídeo acima), da banda King Missile. Também filmou, em 1985, o primeiro clipe do Sonic Youth, Death Valley '69 -- e a capa do disco EVOL (1986), vale dizer, é uma cena de You Killed Me First (1985), um dos primeiros filmes de Kern.

Feita a devida introdução, o que motivou este texto foram algumas polaroids até então não-publicadas, tiradas entre 1986-96, que são uma mostra interessante do trabalho de Kern, que abandonou o cinema e retornou à fotografia, cujo principal tema são nus feminos, bondage e fetiches diversos, mantendo um estilo derivado de seus filmes. Um aspecto importante na fotografia de Kern é que as modelos nunca são perfeitas, nunca são aquelas garotas sem defeitos que costumam ser as personagens da grande maioria de ensaios desse tipo. As garotas de Kern são garotas QUAISQUER, daquelas que te chamam a atenção na fila do supermercado ou na rua mas que não necessariamente te deixam embasbacado (ou pelo menos não nesses ambientes).

Mais recentemente, a Vice Magazine promoveu uma série de pequenos vídeos (entre 3 e 5 minutos), intitulada SHOT BY KERN, que contam com depoimentos dele e de suas modelos, antes, depois e durante os ensaios. Cada vídeo conta com uma garota (ou uma bela DUPLA) e cobre rapidamente os motivos que as levaram até lá, suas impressões sobre o trabalho e alguns comentários do fotógrafo. Afirmo que é um MUST-SEE para qualquer um que tem o mínimo de SIMPATIA por soft-core & stuff.

E digo mais: gotta love Sophie.

Behold the S-curve!

(Talvez o feed não mostre o vídeo da Sophie. Nesse caso, veja aqui.)

Perversion for Profit

"The wild abuses of the God given GIFT of sex."

Sempre que vejo esses vídeos informativos e estupidamente moralistas, a grande maioria deles paridos na década de 60, fico me perguntando o quão eficazes eram. De verdade. Sei que o estadunidense médio -- aquele patriota, cristão hardcore, pleonasticamente conservador e intolerante; american dreamer e defensor da família blá blá blá -- era o principal alvo dessas campanhas e não espanta que a idéia até fosse comprada por essas pessoas. Isso enquanto qualquer pessoa capaz de pensar um pouquinho devia, como faço agora, rolar de rir.

Digo mais: se você prestar atenção no material mostrado no vídeo, atestará sua qualidade e clara SUPERIORIDADE às porcarias photoshopadas que vemos por aí. Creio até ter visto um Manara ali no final. Também não ficaria surpreso se este filme, junto de tantos outros, tivesse alavancado as vendas do segmento: propagandas assim acabam gerando muito mais curiosidade que... aversão. Assim como o capitalismo, que, de fato, consegue MONETIZAR qualquer revolução ou movimento contrário a si, a esmagadora maioria dessas campanhas anti-pornô acabam sendo um BELO tiro pela culatra. Literalmente.

Aliás, nesse mesmo canal do iutube há outros vídeos similares, uns anti-drogas (que costumam ser um tanto engraçados também) e alguns clipes. Vale uma olhada.

(via.)

...

Quem quer apostar que o Azeredo vem dessa LINHAGEM?

Blowjob

Porque hoje, dizem, é o dia do orgasmo.

Tribal Fusion

As duas palavras do título, quando juntas, invariavelmente me remetem ao universo do Neuromancer e fiquei alguns dias tentando escrever sobre isso e a relação com vídeo abaixo. Como não saiu nada, farei essas considerações a esmo, de qualquer jeito mesmo, lançando algumas idéias.

Para não perdê-los logo no começo, vou para a parte mais interessante e que foi a ignição dessas associações. Devo dizer que não entendo nada sobre dança e acho cafona boa parte das coreografias que vejo naqueles programas aleatórios da TV Cultura. Dessa arte me interessam apenas duas coisas: a FIGURA da bailarina (que não vem ao caso aqui) e essa vertente mais ELETRO-modernizada da dança do ventre -- e me justifico com o vídeo que segue:

She's a SNAKE!

Posto isso, a citação da fonte: toda vez que penso dar um unsubscribe no feed Obvious, eles mandam alguma coisa muito boa e esta breve biografia da Rachel Brice, a dançarina acima, foi um tiro certeiro. Leiam o artigo e depois voltem pra cá. Eu aguardo.

...

Sei que essa industrialização das tradições acaba deixando muita coisa importante de lado e tira aproveito dos símbolos para CATALIZAR -- e agora falo do vídeo -- todo o erotismo e apelo sexual que já há na belly dance roots e os combina numa atmosfera diferente e essencialmente artificial, que cria, e isso é lindo, uma fusão de elementos distintos ao extrapolar seus detalhes em comum. Não é a toa que, nesse caso, TRIBAL FUSION seja um rótulo perfeito -- também por ser vago as hell.

E, de outra forma -- que é onde a ponte para o Neuromancer se constrói --, tal amálgama moderno de tradições e tendências passa a ser conseqüência direta de um CHOQUE, eu diria, tecnológico e/ou social, do desenvolvimento rápido, impulsionado pela idéia self improvement constante, frenético. Pois, convenhamos, não temos nada NOVO. Essa é a geração da reciclagem, do remake, das colagens. Recorte e junte e cole, veja no que dá. Proto-eugenia artística.

Pois no universo do Neuromancer, até onde a memória da leitura me permite, as fronteiras inexistem e nacionalidades são uma questão puramente geográfica -- Gibson faz questão de dizer que um sujeito é alemão ou tailandês da mesma forma que descreve suas roupas e apetrechos, vomitando marcas e logotipos*. Porque nessa projeção estupidamente futurista, a tradição foi massacrada por esses catalizadores e a única identidade que resta é a das grandes corporações -- o que também lembra o início do Clube da Luta, onde é dito que no futuro haverá a galáxia Starbucks, constelação Microsoft, etc.

É como se o universo do Neuromancer fosse a hiper-extrapolação do modelo Tribal Fusion. E, de certa forma, essa é realmente a tendência atual, ainda que meio tímida. As possibilidade são infinitas, mas o que é deixado de lado nessas misturas acaba não sendo reutilizado, e talvez este seja o grande problema.

Bonus tracks: Vintage, Oriental Dream, Paris.

--

(*) O que é basicamente a essência do Reconhecimento de Padrões também.

Zeitgeist

Coincidências são um negócio engraçado.

Escrevi sobre Hicks e Carlin nessa semana e sem qualquer motivo ou relação com isso, resolvi, hoje, dar uma olhada nos meus e-mails não lidos, datados de meses atrás. O primeiro deles acabou sendo o único que li. Era um link para o filme Zeitgeist. Desanimei ao ver que o filme, na verdade, um documentário, contava com 2 horas de duração. Não fosse o link para o trailer, no fim da página, não estraria digitando essas coisas às 3 da manhã.

Quero dizer, o trailer não tem nada de mais, é bem simples e divulga uma quarta parte do documentário que ainda será lançada, mas logo no começo reconheci a voz do Hicks num trecho que, coincidentemente, eu havia citado ainda ontem -- e que agora reproduzo abaixo, pois no post anterior ele estava um pouco fora de contexto.

It's just a ride

Isso foi o suficiente para que eu assistisse ao filme.

São três partes: a primeira sobre religião (enfoque no cristianismo), a segunda sobre o 11 de setembro e a última sobre bancos, guerras, televisão e o buraco bem fundo que estamos cavando para nossas liberdades.

Ou seja: se não mudarmos tudo isso agora, vai ser tarde.

Talvez já seja tarde.

Não é à toa que o texto do vídeo acima, It's just a ride, encerra o filme. Nada mais oportuno.

E na primeira parte, sobre o cristianismo, há um outro trecho de Hicks falando sobre os criacionistas e o início do clássico de George Carlin, religion is bullshit. Fora tais auxílios cômicos, é traçado um histórico de diversas religiões e suas imensas similaridades, a ascensão do cristianismo e para onde essa fé cega nos está levando.

A parte seguinte é pura teoria da conspiração sobre os atendados ao WTC, mas conta com argumentação e fatos interessantíssimos. Independentemente do que você pensa sobre o assunto, sugiro que dê uma olhada, pela curiosidade mesmo.

Por fim, vê-se o surgimento dos banqueiros milionários e o golpe para a criação do Banco Central americano, no início do século, que só serviu para lhes dar mais poder. E daí vem a Primeira Guerra Mundial, a Segunda, o Vietnã, Afeganistão, Iraque, que não são nada além de bons investimentos para essa gente.

Zeitgeist está disponível para download e via streaming, com versões legendadas em várias línguas, inclusive o português (de Portugal e numa tradução bem tosca, mas nada que impeça a compreensão).

E agora acho que vou dar uma olhada nos outros e-mails antigos. Vá saber o que há por lá.

Play from your fucking heart

Eu disse que falaria sobre VONTADE e acredito que o título acima resuma extremamente bem o que eu quero dizer quando escrevo essa palavra. E ela não está vinculada às minhas preferências musicais (e nem necessariamente à música), mas sim à própria expressão do(s) sujeito(s) que se dispõem a retirar dos instrumentos e da própria voz o som que desejam, seja ele qual for; aquilo que ELES acham bonito ou imprescindível ou inevitável. Aquilo que é sincero.

Daí quando eu passo por um televisor, ou um rádio de terceiros, ou um link errado no iutube; quando eu vejo bandas e mais bandas formadas apenas para encher os bolsos de gravadoras, para repetir os modelos e padrões que vendem e que sempre dão certo -- e a repetição vai tornando tudo cada vez mais plástico e artificial, cada vez mais VIRTUAL -- eu fico profundamente irritado.

(Antes de prosseguir, uma digressão rápida: em algum ponto de um passado mais ou menos distante, trombei com um texto do Bill Hicks, que na época não conhecia, falando sobre cigarro [há vários] e depois disso fui atrás de todos os registros de apresentações que pude encontrar -- e a piada do cigarro ilustra esse post aqui, lá no final do texto -- e, vos digo, é um dos meus comediantes favoritos. Digo isso porque George Carlin morreu nessa semana e depois de rever vários e vários trechos de seus stand-ups, me vi obrigado a voltar aos registros do também falecido Hicks, e passei a madrugada inteira revendo essa coisa toda para concluir, mais uma vez, que precisamos de mais pessoas como esses caras, com algo a dizer.)

E essa irritação é daquelas que ficam entaladas na garganta, que incomodam e te dão a sensação de que não há nada que se possa fazer. Talvez não haja mesmo, mas eu sinto essa mesma vontade de extravasar o meu incômodo com essa grande, e cada vez maior, quantidade de merda que nos querem vender:

Play from your fucking heart

Ok, talvez sem os pulinhos.

Mas tocar from your fucking heart, isto é, com VONTADE, devia ser a principal, senão a única, motivação de quem empunha um instrumento ou um microfone. Ponto.

Dito isso, me inclino agora mais para o lado de uma singela homenagem ao Hicks, sem querer interferir no luto ao Carlin e também sem perder totalmente a essência do título do post, e lhe passo novamente a palavra, lembrando que esses vídeos são de fins da década de 80 e começo de 90, o que torna Bill um contemporâneo do "sucesso" de Rick Astley (e Debbie Gibson, e George Michael, e New Kids on the Block, e...):

Rick Roll é o caralho

E para completar o apanhado de comentários sobre música, o vídeo abaixo fala da relação dos músicos com as drogas... e de pactos pouco ortodoxos com o demônio para alavancar vendas e fazer sucesso.

Há muito mais por aí, inclusive essa apresentação completa (e compacta, 30 minutos) realizada em Chicago, em 1991.

De nada.

George Carlin is no more

George Carlin morreu ontem, no domingo, aos 71 anos, de ataque cardíaco. Uma pena. Além de ser um excelente comediante, também tinha algo a dizer -- o que anda muito em falta hoje em dia. Aliás, salvo algumas variações, esse era um dos temas recorrentes em suas apresentações: the people are fucked.

Abaixo, uma rápida reflexão sobre a educação nos EUA, mas a carapuça nos serve muito bem.

Além desse, já postei outros vídeos dele aqui no blog. E, claro, há muito mais no iutube.

Grande perda.

Eveready Harton: o primeiro desenho pornô

Além dos bons feeds que assino e compartilho, também acompanho alguns outros que provêm ao meu dark side algumas das belas imagens que o adornam, e estas, tanto pela beleza quanto pela freqüência com que são postadas, acabam por roubar a cena e transformam, aos olhos do visitante incauto, o interessante apanhado de links em uma coleção de fotografias de garotas semi-nuas fumando e bebendo. E basicamente é isso mesmo.

E foi por um desses feeds que tomei conhecimento sobre o Eveready Harton in Buried Treasure, ou apenas Eveready Harton, o primeiro desenho animado pornográfico.

São poucas as informações disponíveis sobre este curta, mas, segundo o IMDb, o desenho foi feito em 1929, na surdina, por três estúdios distintos em Nova Iorque (ou Cuba, dependendo da fonte): quando um deles terminava sua parte da animação, mandava os últimos desenhos para que o outro estúdio pudesse continuar o trabalho e passá-lo pra frente, tudo isso feito nas horas vagas e extras, provavelmente.

Antes da exibição oficial, numa festinha particular, ninguém havia visto o filme completo, nem mesmo os autores anônimos, e dizem que nesse dia as gargalhadas tomaram conta do hotel onde ele foi projetado.

Para quem duvida que havia sem-vergonhice na gloriosa década de 1920, na puberdade dos seus avós, sinto desapontá-los: Eveready Harton faz jus ao nome e está sempre pronto para uma boa sacanagem, sem pudores e sem frescuras. É um HARDCORE VINTAGE no melhor estilo dos desenhos antigos: mudo e cheio de trapalhadas.

Findo meus comentários por aqui para evitar spoilers, mas vos adianto que há diversas práticas sexuais pouco ortodoxas nesses 4 minutos de safadeza. Ah, e um DUELO. Vejam só:

E como todo bom desenho infantil antigo, tem até a moral da história: Where ever there's a way, there is a always an eveready will.

Nem que seja com uma vaquinha.

Segundas chances

Porque todos temos aqueles discos -- geralmente vários -- que nos fogem logo no começo e nos dão a ilusão de que o tempo passou mais rápido que o normal. Aqueles que se mesclam ao ambiente e correm por lá sem amarras, quando deveriam (e esta constatação só vem depois) fazer-se ouvir, mesmo que de forma intrincada, em primeiro plano. Mesmo que seja uma merda. E aquela sensação incômoda que surge dias depois, quando por algum motivo esbarramos com um desses discos e não sabemos dizer como ele é ou se nos agradou ou se se parece com qualquer coisa que conhecemos.

Me acontece com freqüência.

E que é diferente do que ocorre com os discos realmente difíceis, obscuros, fechados. Diferente de um trabalho, digamos, mais denso, que dificulta o SEU acesso às poucas portas, enquanto que com esses outros, o que costuma faltar é atenção ou a atmosfera -- o timming. Pois a culpa é sua mesmo.

E daí você resolve que tem que se meter ali de novo e descobrir do que se trata. A memória mais ou menos recente, desenterrada logo nos primeiros segundos, te remete àquelas duas faixas que encabeçam a lista e mais nada, o que vem depois parece ser novo e dali em diante, conforme a coisa roda, você vai pegando aqueles ganchos (ou as MIGALHAS) que deixou pra trás ou que vê (ouve) agora pela primeiríssima vez.

(Alguns palavrões foram feitos para serem ditos justamente nesse momento. Para o bem ou para o mal. Com exclamações ou reticências -- ou até ambas, se a surpresa vier após um equívoco ou um delay.)

O veredicto não interessa muito. Se você não desistiu na metade, não é de todo ruim. E se foi até o fim, também não significa que seja bom: o que você pôde agarrar e, principalmente, o porquê de tê-lo feito agora e não antes, é muito mais interessante que uma avaliação binária ou decimal.

...


E hoje, ao retornar a três discos, trouxe um vídeo que pode interessar os que por aqui passeiam para matar o tempo.

Não é exatamente o tipo de música que se imagina vir da Suécia, mas, ei, trata-se do maior sueco do mundo. Ou melhor, do maior homem do mundo. Em altura mesmo. Metaforicamente.

Chame de folk/blues e -- supondo que você esteja nessa -- perceba o salto RETROSPECTIVO que esse sujeito deu ao se lançar até meados de 1960 e entrar no embalo de Dylan, com quem a comparação, mesmo que sutil, se torna quase inevitável.

The Tallest Man on Earth - It Will Follow the Rain

Para essa mesma música, e com os vocais ligeiramente diferentes, há um clipe. Nada muito elaborado, mas interessante, ainda que eu prefira o vídeo acima. Digo apenas que visual homem-elefante e um violão-chaveiro, combinados, têm um efeito cômico bem peculiar.

Enfim, o último -- e único -- disco do sueco é um bom disco.

Arranjo-vos um link depois.

(Fiquem com este, por enquanto.)

A música é uma invenção da realidade

Vi agora no blog do Rogério Skylab que fizeram um pequeno documentário sobre ele. O trabalho ficou muito bom. Está dividido em três partes, o que dá mais ou menos uns 14 minutos no total, e abaixo segue a primeira delas. Para ver as outras, escolha um dos links acima.

Stand-up & Test

Para testar se a inserção de vídeos ainda funciona, trago-vos mais dois bons vídeos do George Carlin.

Religion is Bullshit

Ten Commandments

É, acho que deu certo.

Saving the Planet

Aproveitando o embalo dos últimos posts e tendo ido um tanto além da excelente indicação do sr. Pamplona, julgo interessante trazer para cá este vídeo comediante George Carlin.

Sensacional conclusão sobre o sentido da vida.

I got some words of wisdom

Em três dias eu escutei o mesmo disco, em alto e bom som, umas quatro ou cinco vezes, de tal modo que já estou habilitado a cantarolar os versos das minhas faixas favoritas, para o desprazer dos vizinhos, em intensidade similar, esbanjando todo meu inglês paraguaio made in china. Aliás, felizes de vocês, meus não-roommates: morar sozinho é como estar sempre sob um chuveiro.

Pois bem, já comentei sobre disco por e, não satisfeito, estendo o comentário audiovisual para cá, para vossa devida degustação e posterior karaokerização, caso este rock de tiozões -- aka Nick Cave & Cia. ou Mustache Division -- satisfaça plenamente vosso par de ouvidos.

Grinderman - Honey Bee (Let's Fly to Mars)

A leitora sagaz (dorovante denominada Honey Bee, a nivel de deboche), possuidora de bom gosto musical, já tascou um clique no link acima e provavelmente já está com os pezinhos atolados no solo cinza-escuro da desolação (o supracitado ""), correndo os olhos por sobre o imperativo anglófono -- "grab it" -- que contém em si as coordenadas para a obtenção ilegal do disco único e homônimo do Grinderman.

Ufa. É ou não é, Honey Bee? E já que estás a clicar, aproveita para contemplar todo o sentimento de No Pussy Blues. Uma canção sempre muito pertinente para nós, os zangões.

Bzzz.

...

Mudo completamente de assunto para fazer um outro comentário, que não teria lugar em post algum senão precisamente este aqui, e os motivos ignoro.

O fato (e começo sempre com fatos, para termos um bom alicerce), o fato, como vos dizia, é que eu assistia agora há pouco à reprise compacta do CQC -- que não levou ao ar a matéria sobre a marcha da maconha -- e assim que veio o intervalo pus-me a zapear os canais da minha recém descoberta "TV a gato", apertando, para isso, no não-anatômico controle remoto, a setinha que aponta para o norte. E lá estava eu, instantaneamente, vislumbrando um edificante programa de relacionamentos da grotesca MTV, onde um sujeito bombadinho estava confinado numa redoma de vidro (eram as regras do joguinho, suponho, mas prefiro imaginar que o infeliz não possuía sistema imunológico), e a apresentadora, vejam só, apresentava ao rapaz uma meia dúzia de pretendentes ("guerreiras", segundo ela); porém o playboy, estando preso em sua jaula hermética, de cantos arredondados e tons pastéis, via apenas partes das guerreiras num monitor ao lado dele. Nos poucos segundos que me detive ali, apareceu o olho de uma gordinha e o cara, como se estivesse analisando uma obra da prefeitura, foi logo dizendo que ali tinha muito rímel (e ele gostava de garotas "ao natural", isto é, com uma quantidade de maquiagem ligeiramente inferior àquela), mas que a sobrancelha estava bem delineada e construída. Setinha pra cima.

E fui subindo, subindo e subindo, passando por canais educativos, TVE en español, programas de vendas de carros e eletrodomésticos, etc. Em pouco tempo estava de volta à Band, levemente embasbacado e bastante frustrado (embora não surpreso) com a inutilidade daquilo tudo. E é nesse preciso momento -- esta sensação me acomete uma vez por semana, às segundas-feiras, 22h15, aos intervalos -- que eu me sinto como um personagem de um daqueles filmes da sessão da tarde, onde um grupo de garotos e um professor de ciências maluco, depois de aprontarem altas confusões, conseguem trazer do passado alguma personalidade histórica ou mesmo um sujeito qualquer, que pode ser tando um burguês do século XVIII quanto um Neanderthal (há uma meia dúzia de filmes com este mesmo "argumento"). E eu me sinto, pois, justamente como o personagem trazido de algum século anterior ao corrente, fascinado pela tecnologia do televisor e que observa aquilo com muita atenção, sem entender nada.

E dessas zapeadas, vos digo, eu pude tirar uma importante conclusão: a única coisa boa do caso Isabella é a madrasta e a pior de todas as coberturas é a evangélica, que vê na defenestração da menina mais uma obra do ardiloso Satanás-aleluia-glória-a-deus-nos-dê-dinheiro.

Portanto, também não foi à toa, Honey Bee, que escutei o mesmo disco umas quatro ou cinco vezes, entremeadas por outras tantas audições: a salvação está na música.

Ainda sobre a Marcha da Maconha

Eu tinha perdido o programa CQC dessa semana e só agora vi que eles fizeram uma cobertura da Marcha da Maconha em São Paulo e no Rio de Janeiro. Aliás, na semana anterior eu até tinha mandado um e-mail pra eles sugerindo esse tema e independente da relevância da minha humilde sugestão (e a de tantos outros, provavelmente), fiquei contente com o resultado. Ficou bem engraçado. Principalmente o finalzinho.

Jesus em Dois Sabores

Quando Oswald de Andrade disse que só a antropofagia nos une "socialmente, economicamente, filosoficamente", deixou de lado a faceta religiosa -- ainda que o manifesto esteja cronologicamente referenciado à deglutição do Bispo Saldanha -- não só por se tratar mesmo de um tema indigesto, mas provavelmente porque lá nos idos de 1920 inexistiam sabores mais atrativos para o ícone cristão, pois já me disseram que HÓSTIA não tem gosto nada e, por isso, deve tornar o ato antropofágico deveras sem graça. Dizem também que o pão é a carne e o vinho é o sangue, talvez para tornar o gosto um pouco melhor (ou para pelo menos TER um gosto), mas acredito que se quisessem mesmo ter algum sucesso bastaria fazer um daqueles bolos quilométricos, que a televisão mostra o pessoal devorando em poucos segundos, só que em forma de cruz.

Pensando nisso, talvez, Tom Waits nos apresenta um novo sabor para o filho de deus, uma alternativa ao pão duro:

Chocolate Jesus

E como falei em pão e vinho, não poderia deixar o chocolate sem um par aquoso, ainda que de teor alcoólico nulo:

Guaraná Jesus

O sujeito acima é Carlos Careqa (que conheci ainda ontem, via twitter) e faz sua versão tupiniquim para a música do grande Waits. Careqa, fã de Tom, gravou 14 de suas músicas vertidas para o português no disco À Espera de Tom. Eu teceria alguns comentários sobre as canções aqui, mas enquanto escrevo ainda restam 25 minutos de download e minhas impressões ficarão para um próximo post. Contudo, vos deixo o link para apreciação.

Rainy Sunday Boogie-Woogie

boring stuff

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