As duas palavras do título, quando juntas, invariavelmente me remetem ao universo do Neuromancer e fiquei alguns dias tentando escrever sobre isso e a relação com vídeo abaixo. Como não saiu nada, farei essas considerações a esmo, de qualquer jeito mesmo, lançando algumas idéias.
Para não perdê-los logo no começo, vou para a parte mais interessante e que foi a ignição dessas associações. Devo dizer que não entendo nada sobre dança e acho cafona boa parte das coreografias que vejo naqueles programas aleatórios da TV Cultura. Dessa arte me interessam apenas duas coisas: a FIGURA da bailarina (que não vem ao caso aqui) e essa vertente mais ELETRO-modernizada da dança do ventre -- e me justifico com o vídeo que segue:
She's a SNAKE!
Posto isso, a citação da fonte: toda vez que penso dar um unsubscribe no feed Obvious, eles mandam alguma coisa muito boa e esta breve biografia da Rachel Brice, a dançarina acima, foi um tiro certeiro. Leiam o artigo e depois voltem pra cá. Eu aguardo.
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Sei que essa industrialização das tradições acaba deixando muita coisa importante de lado e tira aproveito dos símbolos para CATALIZAR -- e agora falo do vídeo -- todo o erotismo e apelo sexual que já há na belly dance roots e os combina numa atmosfera diferente e essencialmente artificial, que cria, e isso é lindo, uma fusão de elementos distintos ao extrapolar seus detalhes em comum. Não é a toa que, nesse caso, TRIBAL FUSION seja um rótulo perfeito -- também por ser vago as hell.
E, de outra forma -- que é onde a ponte para o Neuromancer se constrói --, tal amálgama moderno de tradições e tendências passa a ser conseqüência direta de um CHOQUE, eu diria, tecnológico e/ou social, do desenvolvimento rápido, impulsionado pela idéia self improvement constante, frenético. Pois, convenhamos, não temos nada NOVO. Essa é a geração da reciclagem, do remake, das colagens. Recorte e junte e cole, veja no que dá. Proto-eugenia artística.

Pois no universo do Neuromancer, até onde a memória da leitura me permite, as fronteiras inexistem e nacionalidades são uma questão puramente geográfica -- Gibson faz questão de dizer que um sujeito é alemão ou tailandês da mesma forma que descreve suas roupas e apetrechos, vomitando marcas e logotipos*. Porque nessa projeção estupidamente futurista, a tradição foi massacrada por esses catalizadores e a única identidade que resta é a das grandes corporações -- o que também lembra o início do Clube da Luta, onde é dito que no futuro haverá a galáxia Starbucks, constelação Microsoft, etc.
É como se o universo do Neuromancer fosse a hiper-extrapolação do modelo Tribal Fusion. E, de certa forma, essa é realmente a tendência atual, ainda que meio tímida. As possibilidade são infinitas, mas o que é deixado de lado nessas misturas acaba não sendo reutilizado, e talvez este seja o grande problema.
Bonus tracks: Vintage, Oriental Dream, Paris.
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(*) O que é basicamente a essência do Reconhecimento de Padrões também.

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